Dizem que os números não mentem, mas isso não é uma verdade absoluta.
Muitas vezes ficamos torcendo para que o indexador de inflação tenha um número alto, porque isso também vai elevar a correção de nossos benefícios, fazendo com que tenha um “número maior”. Assim, desejar que a inflação de um mês seja alta significa, na verdade, que nosso poder de compra diminuiu mais intensamente.
Isso é um grande engano e se deve a três principais fatores:
• O efeito visual é idêntico: Em ambos os casos, a cifra nominal de dinheiro aumenta. O cérebro humano tende a focar no valor absoluto que subiu, ignorando o contexto macroeconômico.
• Uso incorreto dos termos: Empresas, sindicatos e a mídia frequentemente usam a palavra “aumento” de forma genérica para anunciar correções salariais que são, na verdade, apenas reajustes inflacionários.
• Ilusão Monetária: É o fenômeno psicológico onde as pessoas focam no valor nominal do dinheiro (a quantidade de notas) em vez do valor real (o que aquele dinheiro de fato consegue comprar)
Deixando claro:
Reajuste é anualmente aplicado aos nossos benefícios e seu objetivo é apenas atualizar o valor do salário para que o aposentado ou pensionista continue comprando as mesmas coisas de antes, recompondo o seu poder de compra que foi corroído pela inflação. Isto é, ele apenas corrige as perdas de capacidade aquisitiva ocorridas ao longo do último ano e não representa um ganho real de dinheiro.
Aumento é um acréscimo efetivo na remuneração que fica acima da inflação, o que representa um ganho real no poder de compra. Ele faz o seu dinheiro valer mais e, no nosso caso, pode acontecer (e já aconteceu) em função das regras de transição acordadas com algumas patrocinadoras na troca de indexador IGP-DI por IPCA.
Portanto, nossa torcida, racionalmente, tem que ser por baixa inflação e menor necessidade de recompor nossos benefícios. Isso significa que nosso poder de compra está sendo mantido ao longo do tempo.

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