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Expectativa de vida: matemática do destino

Quanto nossa vida vai durar?

Não raras vezes nos deparamos com publicações incrédulas e até raivosas nas redes sociais quando o assunto é expectativa de vida.

Perguntas ácidas, do tipo “como é que podem saber quando vou morrer?” são muito comuns e têm uma certa lógica.

Na verdade, ninguém sabe quando cada um, individualmente, irá deixar este mundo. Quando se diz que é esperado que uma pessoa de 70 viva mais 16 anos, não significa que todos que hoje têm essa idade falecerão aos 86 anos. Alguns partirão antes, outros mais tarde, mas na média a sobrevida de quem tem 70 anos é de cerca de 16 anos (se for homem e quase 19 anos se for mulher).

Essas expectativas usadas não são obra de nenhum adivinho ou futurologista. É pura estatística, representada em uma chamada Tábua Atuarial - uma tabela estatística usada para medir a expectativa de vida, a probabilidade de morte e a sobrevivência de uma população. Ela serve como base para calcular preços de seguros de vida e reservas de planos de previdência.

Uma tábua atuarial (existem algumas delas) é montada com base em dados de mais de uma década sobre a mortalidade e sobrevivência de uma determinada população ao longo do tempo. É analisada desde seu nascimento até a morte, considerando classificações relacionadas à saúde, sexo e condições de vida dos indivíduos. Após a criação, são feitas atualizações aplicando-se técnicas estatísticas e matemáticas para analisar e modelar os padrões de mortalidade, criando-se futuras tábuas.

O IBGE, por exemplo, produz e atualiza regularmente as tábuas de mortalidade da população brasileira (ou de expectativa de vida), com base nos dados de óbitos registrados e população estimada a partir de dados provenientes de censos populacionais, divulgados anualmente. A mais recente publicada aponta que a expectativa de vida média de 76,6 anos, sendo que para o homem brasileiro é de 73,3 anos e para a mulher de 79,9 anos e mostra uma evolução expressiva.

Em 1940 a média era de 45,5 anos, passando para 62,5 anos em 1980,  71,1 anos em 2000 e 76,2 anos em 2019, impulsionada pelo urbanização, controle de doenças infectocontagiosas, melhorias no acesso à saúde pública e queda acentuada na mortalidade infantil.

No caso dos planos de previdência e saúde da Vivest, a tábua aplicada é a AT-2000 (Annuity Table 2000), criada pelos americanos na virada do milênio. Nos estudos atuariais realizados anualmente, considera-se essa Tábua suavizada em 10%, o que na prática significa uma expectativa média de sobrevivência maior que a população em geral, em função de melhores condições de vida e saúde.

Para se ter uma ideia, mostramos abaixo alguns exemplos de expectativas de vida segundo essas condições:

Homem                                                                                                                                                      

Idade (anos)

Expectativa de Vida (anos)

70

16,7

75

13,4

80

10,4

 

Mulher

Idade (anos)

Expectativa de Vida (anos)

70

18,9

75

15,0

80

11,5

 

Assim, de acordo com esses estudos estatísticos, é esperado que os homens que hoje têm 75 anos, vivam, em média, até os 88,4 anos. Para mulheres nessa mesma situação, espera-se que vivam, em média, até os 90 anos.

Isso significa que todos os homens que têm hoje 70 anos vão deixar este mundo aos 86,7 anos? Certamente não. Alguns partirão antes, outros depois, mas para os estudos atuariais que norteiam os seguros de vida, planos de saúde e de previdência, o importante é o comportamento médio.

De qualquer forma, fica a explicação: não é futurologia ou adivinhação, nem mesmo reflete o que acontecerá com cada um de nós individualmente. Mas é pura matemática.

 

 

 


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