POR QUE OS JUROS SÃO TÃO ALTOS NO BRASIL?
Não há dia em que o noticiário do rádio, TV e internet não fale das altas taxas de juros praticadas no Brasil e como isso afeta a vida de empresa, governo e pessoas.
O que nem todo mundo sabe é porque eles são tão elevados e é isso que vamos tentar explicar neste artigo.
Antes de entrarmos no assunto propriamente dito, é necessário alinhar alguns conceitos para podermos falar a mesma língua.
O primeiro deles é: o que são os juros?
Juros são o preço (ou a remuneração) pelo uso do dinheiro ao longo do tempo. Na prática, funcionam como um aluguel cobrado quando se pega dinheiro emprestado, ou como uma "recompensa" quando se faz uma aplicação financeira.
Existem duas formas de calcular os Juros: uma é chamada de forma simples, onde os valores são calculados sempre sobre o valor inicial emprestado ou investido. A outra, chamada de juros compostos e conhecida como "juros sobre juros", onde o valor é calculado a cada novo período sobre o total acumulado no período anterior (valor emprestado acrescido de juros). Esse é o modelo mais comum no mercado financeiro.
O segundo é: o que é a tão falada Taxa Selic? É a taxa de juros definida pelo Banco Central (BC) que serve de referência para as negociações diárias de títulos públicos federais entre as instituições financeiras e que se reflete em todas as outras taxas de juros cobradas no país.
Feitos esses dois esclarecimentos, podemos entrar no assunto principal: as taxas de juros no Brasil.
Não existe uma razão única para que os juros sejam tão elevados no país, mas um conjunto de fatores estruturais e conjunturais, dos quais três se destacam:
- Oferta e demanda: historicamente nossa poupança interna é baixa. Apenas 30 a 40% dos brasileiros investem parte de seu dinheiro regularmente. Para fins comparativos, esse percentual é de 66% no México, 55% em Portugal e 85% nos Estados Unidos.
De outro lado, a demanda por empréstimos no Brasil (por parte de empresas, pessoas e governo) supera em muito a quantidade de dinheiro que as famílias poupam.
O que acontece então, fazendo uma comparação simples, é o semelhante ao preço do bacalhau na Semana Santa – com mais gente querendo comprar, o preço do produto sobe. Com dinheiro é o mesmo: como a oferta é baixa e a demanda é alta, o preço do empréstimo (o juro) aumenta.
- Controle da inflação: a principal função do Banco Central é manter a inflação dentro da meta. Com juros mais elevados, acontece o estímulo para poupar e o desestímulo para consumir. Com isso, espera-se que a demanda por produtos e serviços caia, o que tende a segurar as altas dos preços.
- Risco da inadimplência: tecnicamente chamado de Risco de Crédito, ele representa a probabilidade de que o tomador do empréstimo não honre seu pagamento, o que é popularmente conhecido como “calote”.
Quanto mais endividado está aquele que procura um financiamento, maior o risco que o financiador corre de que o crédito não seja pago e maior a taxa de juros que ele exige para liberar os recursos.
É exatamente isso que temos vivido no país, onde o endividamento crescente do poder público, empresas e famílias (metade da população adulta), vem elevando o risco de calote e tornando maiores as taxas de juros.
Como se vê, ter os juros elevados no país não é uma questão apenas de vontade de quem comanda a economia, mas o efeito de questões mais técnicas, complexas e profundas que precisam ser mudadas com tempo, esforço e certamente sacrifício.
A despeito disso, há taxas de juros praticadas no mercado que não se justificam, como o rotativo do cartão de crédito. O melhor remédio para esses casos é ficar longe deles.